
O nome da mesa era “Shakespeare, Utopia e Rock ‘n’ Roll”. Mas teve pouco de teatro, muitos devaneios e nada de rock’n’roll. Tom Stoppard preferiu oferecer uma aula de dramaturgia através dos diálogos que ele gostaria de ter escrito no cinema. O que não é pouca coisa, evidentemente.
Stoppard é provavelmente o maior dramaturgo hoje vivo no planeta. Alguns como Gerald Thomas, frequentador anônimo deste blog, o colocam no pódium mesmo se os mortos forem incluídos.
Não é difícil imaginar que a fala do professor Tom resultou numa descarga de insights luminosos. É um verdadeiro banho de cachoeira depois do sol quente ouví-lo comentar diálogos que ele tem inveja. Foi de Orson Welles, passando por “O Fugitivo”, até chegar em Harrisson Ford à beira do penhasco, em Caçadores da Arca Perdida 3.
“Desculpem, vou mesmo baixando cada vez mais o nível”, brincou Stoppard. E mostrou, como um mágico de festa infantil, que se pode encontrar pérolas mesmo no meio da lama do cinemão de Hollywood.
Stoppard foi introduzido à platéia por um texto imitando o estilo dele próprio, pelo escritor Luis Fernando Veríssimo. Fã declarado do autor, o sempre tímido Veríssimo se mostrou surpreendentemente gaiato como moderador. Arriscou até mesmo algumas gags. Mas sua performance acabou ziguezagueando entre Woody Allen e Eduardo Suplicy. Confundiu o nome da Festa Literária, a quem chamou de “Clip”. E encerrou a palestra antes da hora, para desespero de Tom Stoppard que parecia ainda reservar munição para descarregar na platéia que acompanhou com atenção suas viagens por terrenos tão diversos e inusitados como o comunismo na sua terra natal, a Tchecoslováquia, Sócrates e o chapéu do Indiana Jones.
Foto: Ana Ottoni
Escrito por Marcelo Tas às 11h34