
Duas ou três semanas atrás, cruzo um amigo que não via há tempos naquela rodinha de abastecimento de copos que sempre surge numa festa. Me conta um tanto animado quanto exasperado que virou top executivo da BRA. Me espanto. O cara era dono de polpudo salário em escritório de advocacia top da cidade. Isso mesmo, ele confirma, topou a aventura de trocar a solidez do mega escritório pela BRA pois diz que há um plano ousado para a empresa dar a volta por cima. Literalmente. Pretendem entrar no vácuo do caos aéreo causado pelo desastrado projeto desenhado por TAM e GOL, com anuência da Anac, de transformar Congonhas num hub para as principais capitais do Brasil, revela ele. Assim, a nova BRA iria conectar importantes cidades do Brasil, sem passar por São Paulo, com 70 novíssimos jatos de médio porte da Embraer que receberiam no início de 2008. Um ovo de Colombo, acreditava ele. No final do nosso rápido encontro, no meio da festa animada e barulhenta, enquanto completávamos o gelo da vodka com água de côco, vejo uma leve ruga de preocupação surgir na testa do jovem executivo, que diz para mim:
– Se a gente conseguir segurar o rojão da confusão atual da empresa até lá, vamos arrebentar a boca do balão. Agora, meu amigo, se a coisa estourar antes, f….. !
Ainda não tive coragem de ligar para ele. Mas pelo jeito, a “coisa” estourou antes.
Escrito por Marcelo Tas às 08h31