
A morte continua o grande mistério da vida.
É melancólico o desfecho da trágica “coincidência” do número 111 com o Coronel Ubiratan, responsável pela invasão do Carandirú, na rebelião que morreram 111 presos.
Independente do mérito ou culpa dele como policial ou do estado espiritual das almas que morreram assassinadas naquele dia trágico, é patético observar agora o silêncio diante da morte dele. Supostamente de razão “passional”. Como se existissem outras razões para a morte dos seres humanos.
O assassinato dele desmonta a figura do militar: ereta, desafiadora, cheia de certezas. Surge a imagem da namorada e supostas amantes que povoavam o enorme apartamento vazio na avenida 9 de Julho do coronel viúvo, candidato a deputado estadual por São Paulo.
É difícil entender como alguém envolvido naquele episódio lamentável da nossa história pudesse aceitar esse número macabro na sua cédula de votação. Quanto mais usá-lo como ferramenta de marketing. Que ele, como cada um de nós, encontre junto com a morte, a paz.
Escrito por Marcelo Tas às 10h46