Terminei de ler “Roberto Marinho”.
Confirmo minha impressão inicial: é uma grande história que todos devem conhecer.
Só deixo registradas duas coisas me incomodaram, e muito, conforme a leitura avançou. A mania do autor empestear o texto, salpicando três pontinhos para todo lado. Isso mesmo, tipo isso… Patati patatá… Esse negócio de três pontinhos gera uma tremenda insegurança e imprecisão no texto. Eu sinto assim… E você?
Outra coisa a se lamentar no trabalho esforçado do Pedro, é a tentativa insistente e infrutífera dele justificar alguns atos do Doutor Roberto. Especialmente da ditadura militar em diante. O autor delira a ponto de cometer uma frase do tipo:
“Cada vez que o Jornal Nacional noticia um novo passo no caminho da redemocratização, torna mais difícil a possibilidade de retrocesso… Portanto, é natural que na hora de escolher os seus ministros o presidente eleito Tancredo Neves submeta os seus nomes, um a um, ao dono da Rede Globo.” (pag. 314)
Natural? Como assim? Fala sério, Bial!
Se em alguns trechos o autor nos surpreende mostrando que Doutor Roberto criou o império sem abrir mão de sexo, drogas e do roquenrou da época, em outras passagem Pedro veste o crachá da empresa e perde o pé da narrativa (aliás, na orelha do livro somos informados que nem bem terminou a faculdade Bial já era estagiário da Globo, de onde nunca saiu, talvez essa imersão o tenha prejudicado).
É uma pena. Roberto Marinho não precisa de ninguém para defendê-lo ou justificá-lo. A incrível história do empresário e jornalista fala por si. E como.
Fica aqui esse PS. Apesar desses dois senões, recomento a leitura do livro. É um auxílio à compreensão da importância da mídia, do personagem focalizado e da recente e trepidante História do Brasil.
Escrito por Marcelo Tas às 16h51