Sou rapaz pacífico. Mas cada vez que é divulgado o balanço anual dos bancos brasileiros, penso em pegar meu estilingue e iniciar uma revolução. Quebrar tudo.
É que o óbvio fica ululante. No país campeão das desigualdades, os banqueiros, tops no ranking dos privilegiados, ficam cada vez mais ricos. Nadando em montanhas de dinheiro. Literalmente. O Itaú apresentou o maior lucro da história do setor bancário do país: R$ 3,776 bilhões! Outros seguiram na mesma levada. Crescimentos de até 37% ao ano!
O que eles dão em troca? Demissões de funcionários humildes, filas nos caixas, aborrecimento pros clientes, sorteiozinhos para sugar ainda mais as migalhas dos incautos e institutos culturais meia-boca, com o dinheiro, é claro, nosso, dos impostos, através das leis, que eles mesmos retornam para si mesmos. Posam de mecenas, amantes da artes. Mas nem são capazes de meter a mão no bolso para bancar a Sinfonia Cultura, orquestra da TV Cultura que fazia um trabalho importantíssimo de levar música erudita para os leigos. Durante mais de um ano, cativou o público do Sesc Belenzinho, o único teatro que a acolheu, na Zona Leste de SP. Custava R$ 3,5 milhões por ano! Alô banqueiros, com uma migalha dessas quem sabe vocês conseguem livrar os seus filhos de arder no inferno!?
Nada dessa indignação tão primária quanto inútil chega aos pés do insight de um grande artista como Angeli. Ele publicou o cartum acima na Folha de ontem. Numa penada, ele se torna o principal editorialista daquele jornal. Resume num quadrinho, tudo o que deve ser dito. Cada vez mais, Angeli se torna meu principal “ídalo”! Ultrapassou Chico Buarque. Encostou no Miles Davis (que já nos deixou). E se aproxima perigosamente de Ute Lemper, cantora de cabaré alemã, minha diva atual preferida.
Escrito por Marcelo Tas às 10h05