Depois que alguém faz, fica fácil. É a tal história do ovo de Colombo. Fazer uma festa de loucos por livros, um encontro de nerds das letras, numa espécie de Ouro Preto à beira-mar, como diria Nelson Rodrigues, o homenageado da quinta edição da Flip, é um óbvio ululante.´
É uma festa suave e intensa ao mesmo tempo. Ruas lotadas, hotéis e restaurantes idem. Convites disputados a tapa e beijos…. Ainda navegando pelo onipresente Nelson Rodrigues, as ruas de Paraty são tomadas por uma multidão de “Lemos”- aquele vizinho anônimo e esquisitão que todos temos no prédio.
Na festa de abertura dessa quarta à noite, na Tenda da Matriz, a decana e odiada/amada crítica Bárbara Heliodora, na palestra inaugural, disse que o óbvio ululante de Nelson Rodrigues é que ele não era carioca; e sim Pernambucano. Tal origem teria calibrado seu ouvido e olhar para tornar suas histórias cariocas universais.
Cerca de 1,2 mil pessoas do lado de dentro e uma outra boa parte do lado de fora da Tenda aplaudiram como se concordando com Heliodora. A tal multidão de “Lemos” é mesmo educada, ou tímida demais (ou ainda seria travada demais?), pois só se levantou da cadeira após a segunda metade do show que fechou a noite com a sacolejante Orquestra Imperial, .
No video acima, disparado direto do meu celular, um alozinho em close-up da cantora Thalma de Freitas. A orquestra fez os homens e mulheres das letras rebolarem até uma da manhã.
Tudo são flores? Infelizmente, não. A prometida banda larga sem fio para imprensa e público, recém inaugurada com direito a tambores e salamaleques ao governador do estado, evaporou já no primeiro dia. Enviar o video e essas mal traçadas para vocês, virou um esforço de “Os Doze Trabalhos de Hércules”.
Escrito por Marcelo Tas às 22h18