
Capa da Ilustrada de hoje, um fulano-que-me-não-me-darei-ao-trabalho-de-gravar-o-nome aponta toda sua fúria e parcos argumentos contra a chamada Web 2.0- essa mesmo que permite que você leia esse post, comente e crie um movimento de informação-formação de opinião. A tese dele é simples, ou melhor, simplória: que o culto ao que ele chama de “amadorismo” pela Internet pode matar a “nossa” cultura, isto é, a dele.
Bem, precisa-se avaliar o que o moço entende como a cultura dele? Já que ao que parece Shakespeare, Bach ou Miles Davis não foram mortos até hoje nem pela internet, muito menos pela Web 2.0. Muito pelo contrário, graças a milhares de forums e comunidades virtuais, estão ainda mais vivinhos do que na era pré-digital.
Volta e meia, aparece um aproveitador ou simplesmente um mal informado “contra” as novidades digitais. É o caso dos velhos jornalistas que ainda fazem sonetos às suas saudosas Olivettis, que eles ainda teimam em comparar aos terríveis computadores. Se pudessem, mudariam a história com uma varinha de condão. Ou melhor, congeralariam a história numa época, de preferência quando eles ainda eram jovens e viris.
Toda vez que isso acontece, me lembro de um vereador da minha cidade natal que tinha um projeto para enterrar a caixa d’agua da pracinha. Tinha inveja do prefeito anterior que a construiu. Quando informado que não poderia fazer isso porque ia contra a Lei da Gravidade, não titubeou: amanhã mesmo eu revogo essa tal lei!
É a atitude do tal sujeito que é contra a Web 2.0. Ou mesmo contra os blogs. Mas, detalhe: divulga o dele, na entrevista da Folha. E quando perguntado da contradição, explica: esse eu criei só para vender o livro.
Ah, bom, então porque eu tive que ler esse lero-lero, com todo esse destaque, no principal jornal do país? Para ser induzido a comprar essa baboseira?
Ai, que preguiça…
Escrito por Marcelo Tas às 12h15